O que é?


Um clone é uma cópia exacta de uma planta ou animal, com todas as características do original, inclusive os defeitos. Não é preciso um laboratório ou equipamentos caros para criar um clone. É sabido que é possível obter várias mudas idênticas geneticamente apenas plantando ramos retirados de alguns tipos de plantas (como uma roseira, por exemplo). A sua mãe e avó já devem ter feito isto algumas vezes. Várias industrias que trabalham com produção de papel usam esta técnica para conseguir mudas de árvores que produzam bastante celulose e que sejam resistentes a pragas.

Alguns animais possuem um extraordinário poder de regeneração. A planária, verme platelminte, pode ter sua cabeça cortada e mesmo assim não morrerá, pois a cabeça pode regenerar um corpo novo e vice versa. Podemos ter assim um clone deste animal no laboratório do Santa Úrsula durante nossas aulas de biologia.

Os gémeos  univitelinos são clones naturais! Algumas vezes um embrião, ainda com poucas células, pode se "partir" em dois, originando dois indivíduos geneticamente idênticos. Cientistas já dominam o processo de clonagem de núcleos embrionários para a produção artificial de gémeos. Embriões humanos já foram clonados desta forma na Inglaterra, mas foram descartados pelos cientistas antes de nascerem!

Mas se os clones não são coisas de "cientista maluco" qual a razão de tanta falação na imprensa? O que a ovelha Dolly tem de diferente para ser lembrada até agora?

É que a pequena Dolly foi gerada de modo totalmente diferente do que é comum entre os mamíferos, grupo de animais a que pertencem as ovelhas. Ela não resultou da fecundação de um óvulo por um espermatozóide dentro do corpo de uma ovelha ou de um tubo de ensaio. A ovelha Dolly foi criada em 1997, em Edimburgo, na Escócia, por dois cientistas do Roslin Institute (Ian Wilmut e Keith Campbell) a partir de células tiradas das mamas de uma ovelha da raça Finn Dorset de 6 anos, que depois foram multiplicadas em laboratório.

As células resultantes foram fundidas com óvulos não-fertilizados, dos quais o material genético do núcleo havia sido removido. Foram implantados em ovelhas 29 desses "óvulos reconstruídos" e um deles conseguiu vingar, dando origem à ovelha Dolly, 148 dias depois.

O núcleo da célula da mama da ovelha, assim como todas as células (com exceção do óvulo alterado) possui todas as informações genéticas que geraram Dolly. Por sua vez, o óvulo, sem núcleo, ficou desprovido de informações genéticas, mas continuou com a capacidade de se dividir e formar um embrião, como acontece em uma fecundação normal.

Mas para chegar a isso, os cientistas que clonaram Dolly, tiveram de superar 277 tentativas fracassadas, pois as técnicas de control

Quatro anos após o nascimento da ovelha Dolly - o primeiro animal clonado a partir de uma célula adulta - a clonagem ainda é, em muitos aspectos, uma técnica pouco compreendida pelos cientistas e com uma taxa de fracasso altíssima, uma vez que os embriões clonados são abortados ou dão origem a fetos deformados, que morrem nos primeiros dias de vida em 95% a 98% dos casos. "A média de sucesso é de cerca de 2% em trabalhos publicados sobre clonagem de bovinos, ovelhas, porcos e ratos", disse o director-assistente de Ciência do Instituto Roslin, Harry Griffin, em entrevista ao Estado. "Mas a taxa real deve ser ainda menor, pois os experimentos que falham não são divulgados." O próprio instituto, com sede na Escócia, não clonou nenhum outro animal adulto desde Dolly.

As falhas no processo estão longe de serem solucionadas. Muitos cientistas suspeitam que o problema esteja no processo de "impressão genômica", mecanismo pelo qual os genes do espermatozóide e do óvulo são ativados ou desativados durante o desenvolvimento embrionário. Na técnica realizada para o nascimento da Dolly, como não há fusão do material genético de células sexuais - que já carregam DNA propriamente impresso - os genes do clone podem não ser ativados corretamente.

Também a maioria dos filhotes clonados nasce com até o dobro do peso normal, o que pode acarretar complicações respiratórias e cardiovasculares. Muitos nascem com deformidades, como vacas com cabeças e focinhos achatados, e não sobrevivem. Há riscos sérios também das fêmeas que recebem os embriões, que podem inchar ao ponto de estourar os músculos do abdomen. O cordão umbilical e a placenta costumam crescer de maneira anormal.

Outro problema sério da técnica é o envelhecimento precoce ou encolhimento dos telômeros (estruturas cromossômicas que se desgastam à medida que a célula se divide e envelhece). Assim um clone que acabou de nascer pode apresentar material genético já "desgastado".

Mas a questão que realmente mais perturba o mundo da ciência é possibilidade de algum cientista tentar clonar seres humanos. Com todos os problemas listados no texto seria hoje inviável tentar clonar um ser humano; não só por questões éticas, mas também problemas técnicos que ainda não foram resolvidos. Ou seja, uma técnica que resulta em abortos, fetos deformados ou nadomortos em até 98% dos casos não deveria ser experimentada em seres humanos. Veja na figura abaixo os principais problemas que poderiam acontecer neste tipo de tentativa:

Entretanto as técnicas de clonagem aliadas a outras técnicas podem trazer benefícios para os seres humanos. Clonagem, manipulação genética e mapeamento de genoma são pesquisas totalmente independentes uma da outra, mas que poderão ser unidas no futuro para aperfeiçoar espécies vegetais e animais, inclusive seres humanos.

O objetivo é produzir cópias de animais que tenham alguma característica de interesse econômico ou para a aplicação em pesquisas. Aqui, a clonagem e a transgenese - a transferência de genes de uma espécie paraé outra - poderão unir forças para criar vacas que produzem proteínas humanas no leite, por exemplo. Ou o código genético de um touro pode ser manipulado e clonado para criar uma prole de supercampeões.

"A clonagem pode ser usada como forma de regeneração de material genético de interesse", diz o médico veterinário Rodolfo Rumpf, da divisão de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa, que criou o primeiro bezerro clonado do Brasil. "A genética animal pode ser um excelente produto de exportação", diz o técnico, que deve iniciar em breve um programa para o desenvolvimento de gado transgénico.
 

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